domingo, 10 de novembro de 2013

Countries for breakfast


This is my favourite song by Young Sawbones! I fell in love with the lyrics in 2010, then I finally listened to it this year, and I hyperloved it! I made this video for my students with my understanding of what the lyricist might have wanted to say.




Essa é minha música favorita do Young Sawbones! Apaixonei-me pela letra em 2010, daí finalmente a ouvi esse ano, e hiperamei-a! Fiz esse vídeo pros meus alunos com minha interpretação do que o letrista provavelmente quis dizer.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Esquadrão Classe A: Murdock, um dos melhores personagens de todos os tempos!

The A-Team: Murdock, one of the best characters ever!


Sobre alcoólatras e cães


No dia 1º de outubro de 2008, por volta das 22h, eu voltava pra casa do trabalho quando passei por uma pessoa na rua e na hora eu sabia que tinha que voltar pra ver aquele ser novamente!

Na época, aceitei o fato de que não havia nada que eu pudesse fazer por aquela alma, mas uma foto dela, com algum texto, talvez impedisse que outros trilhassem aquele mesmo caminho.





Vivi três casos graves de alcoolismo na minha família e achei que mostrando que só restam os cães para os alcoólatras eu estaria evitando um quarto, mas hoje sei que a gente só consegue melhorar as coisas com amor.





Mystic alcoholics' dogs river


On October 1, 2008, around 10 p.m.,  I was coming home from work when I passed by someone in the street and I instantly knew I had to go back to see that being again!

At that time, I accepted the fact there was nothing I could do for that soul, but a picture of it, with some text, could prevent others to walk that path.







I've lived three severe cases of alcoholism in my family and I thought showing only dogs are left for alcoholics I would be avoiding a fourth one, but now I know we can only improve things with love.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

"Na Sua Solidão"


Música que a Cachorro Grande fez pra mim (sem saber):


"Ela vem subindo a rua
Ela vem imaginando uma solução
Ela anda no mundo da lua
Ela anda na sua solidão

Sonhos perdidos no tempo
Para onde o vento irá soprar
Ela quer entender o momento
Talvez seja a hora de repensar

Não há mais porque não acreditar
Não há mal nenhum em se deixar levar"


Escuta a música! Listen to the song!



"In Her Loneliness"


A song Cachorro Grande composed for me (not knowing):

"She comes walking up the street
She is imagining a solution
She walks daydreaming
She walks in her loneliness

Dreams lost all along
Where will the wind blow
She wants to understand her moment
Maybe it's time to rethink

There is no reason why not to believe anymore
There is no harm in letting herself be carried away"

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Futebol e gladiadores

Alguém que deu uma olhada na História tal qual ela nos é contada já percebeu que nada mudou em essência, apenas em imagem?

Um exemplinho: vamos comparar as partidas de futebol e as lutas de gladiadores?

Parece que nem em imagem...

Ser proprietário de gladiadores e alugá-los era uma atividade comercial perfeitamente legal em Roma antes de cristo. Imagino que deve estar dentro da lei vender um jogador de futebol hoje!

Objetivo de uma luta ou de uma partida: entreter o público - por entretenimento vamos entender "desvio de atenção"?

Havia grupos e categorias de gladiadores; existem times e categorias de jogadores!

Brinde: tem jogos de videogame com os dois "esportes"!

Profecia: dentro de dois mil anos, vai haver uma outra atividade totalmente similar a essas duas, mas praticamente todo mundo vai achar o futebol super primitivo e cruel, não é? No entanto, quase todos vão aceitar a grande ilusão de diversão e união que só nos afasta do amor e da felicidade...


Soccer and gladiators


Has anyone who took a look at History as it is told to us realized that nothing has changed in essence, only in image?

A little example: let's compare soccer and gladiator fights?



Apparently, not even in image...


Owning gladiators and renting them was a perfectly legal commercial activity in Rome before christ. I imagine it must be lawful to sell a soccer player today!

Purpose of a fight or a match: entertaining the audience - for entertainment let's understand "diverting attention"?

There were groups and categories of gladiators; there are teams and categories of players!

Freebie: videogames for the two "sports" are available!

Prophecy: within two thousand years, there will be another activity entirely similar to those two, but nearly everyone will find soccer pretty primitive and cruel, won't they? However, almost everyone will accept the great illusion of fun and union that only distances us from love and happiness ...




domingo, 15 de julho de 2012

Algumas maneiras de fazer alguém feliz 


Dá um beijo. Um abraço. Um passo em sua direção. Aproxima-te sem cerimônia. Dá um pouco de calor, do teu sentimento. Assenta-te bem perto e deixa-te ficar, algum tempo ou muito tempo. Não contes o tempo de te dar. Aprende a burlar a superficialidade. Sonha o sonho, sem duvidar. Deixa o sorriso acontecer. Liberta um imenso sorriso. Rasga o preconceito. Olha nos olhos. Aponta um defeito, com jeito. Respeita uma lágrima. Ouve uma estória ou muitas, com atenção. Escreve um recado e envia. Irradia simplicidade, simpatia, energia. Num toque de três dedos, observa as "coincidências". Não esperes ser solicitado, presta um favor. Lembra-te de um caso. Conversa sério ou fiado. Conta uma piada. Acha graça. Ajuda a resolver um problema. Pergunta: Por quê? Como vai? Como tem passado? Que tem feito de bom? Que há de novo? E presta atenção. Sugere um passeio, um bom livro, um bom filme ou mesmo um site engraçado. Dize, de vez em quando, desculpa, muito obrigado, não tem importância, que se há de fazer, dá-se um jeito. Tenta, de alguma maneira, e não te espantes se a pessoa mais feliz fores tu! (Anônimo)



Some ways to make someone happy

Give them a kiss. A hug. A step toward them. Come closer them with no ceremony. Give them a little of your warmth, of your feeling. Sit very close to them and stay for a while or a long time. Don’t count the time to share. Learn how to beat superficiality. Dream the dream with no doubt. Let the smile happen. Unleash a huge smile. Tear prejudice down. Look in their eyes. Point  out an imperfection, with subtlety. Respect a tear. Hear a story or many, with attention. Write and send a message. Radiate simplicity, friendliness, energy. In no time, observe "coincidences". Don’t expect to be asked, do a favor. Remember a story. Talk about serious or mild things. Tell a joke. Find it funny. Help solving a problem. Ask: Why? How are you? How’ve you been? What good have you done? What's new? And pay attention. Suggest a walk, a good book, a good movie or even a funny website. Say, from time to time, sorry, thank you, don’t worry, there’s nothing we can do, we’ll find a way. Try somehow and don’t be surprised if the happiest person ever is you! (Anonymous)


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Comedores de carne inconscientes (The walking dead - fanfic de Daryl)


Daryl estava sentado num toco de árvore fazendo uma flecha quando Nadia apareceu na frente dele segurando um prato com alguns pedaços de bolo. Ele fingiu não perceber, mas ela se sentou no chão perto dele de qualquer maneira.
– Eu fiz esse lanche para nós. É de laranja. – ela disse, pegando um pedaço e começando a comê-lo.
– Por que tu teima que nem uma mula em cuidar de mim? – ele perguntou de forma áspera.
Ela sorriu.
– Porque tu cuida de mim.
– Eu cuido de todo mundo. E tem outros caras que tomam conta de todo mundo também.
– Eles são todos casados ​​ou coisa assim. Pega um pedaço. Tá bom!
– Não to com fome.
Eles trocaram um olhar pela primeira vez. Ele notou que ela não estava feliz como de costume, principalmente depois que ela vislumbrou alguns esquilos mortos pendurados no guidom da sua moto. “Que merda é essa” – pensou ele, e desejou que nada disso estivesse acontecendo.
– Ouvi por aí que tu não come carne – ele falou com os dentes fechados.
– Ouviu certo. Nasci assim – ela respondeu sorrindo novamente.
– Também ouvi dizer que tu é do Brasil.
– Sou. Vim aqui para aprender inglês. Eu ia voltar até o final desse ano, quando a neve começar a cair...
– Não gosta de neve?
– Só não sou acostumada. No inverno passado, meu primeiro aqui, prometi a mim mesma que seguiria as aves migratórias! Acho que meus planos vão ter que mudar um pouco agora ... Sabe? Eu queria viajar. Europa, África do Sul, Índia, Austrália ... Eu tinha tudo programado. Toda a minha vida eu fiquei longe dos homens por causa disso.
Ele olhou para ela como se seus olhos dissessem: “Agora eu definitivamente não quero essa virgem maria no meu caminho”.
– Quer dizer, é difícil dar a volta ao mundo, se a gente tem alguém especial esperando por nós.
Daryl ainda parecia ser muito hostil. Se alguém estivesse realmente determinado a entrar em seu mundo, levaria uma vida inteira de avanços e retrocessos. Nadia, no entanto, não estava nem um pouco determinada. Ela pegou um pedaço de bolo.
– Bom, tinha um cachorro. Tem, não sei. Kiwi, porque ele parecia um. Ele preferia meu vizinho por razões de churrasco! Eu simplesmente não pude suportar a rejeição e fui tão longe quanto possível! 
Sua recompensa para aquela piadinha, ela pensou, foi uma segunda troca de olhares.
– Tu não tinha família?
– Ninguém próximo.
– Uns caras por aqui também não têm família.
Nadia não queria irritá-lo. Ela não queria irritar ninguém. Engoliu o último pedaço de bolo que tinha na boca e disse num tom de voz muito amável:
– Eu sei o que tu quer dizer. Só me deixa dizer uma coisa: eu me sinto feliz por estar aqui falando contigo. Queria que tu sentisse o mesmo, mas se tu não sente, é só me pedir pra ir embora. Eu vou entender.
– Vai.
– Tá.
Ela se levantou devagar, bateu o pó da bermuda e deu alguns passos para longe dele. Sua mente era muito ativa, então ela já estava pensando sobre o que poderia fazer em seguida para preencher o dia, quando ele gritou seu nome.
– O quê? – ela perguntou se virando. Ela ficou parada por alguns segundos intermináveis de Daryl, até que ele finalmente alcançou a mão para pegar a prato e foi dar a ela de uma distância segura.
– Pega. Agora não voltar mais.
“Ele se importa muito comigo” – pensou ela, mas não sorriu porque iria machucá-lo.
Ela desapareceu entre as árvores e ele começou a fazendo flechas de novo, um monte delas, muito rapidamente. Então saiu para caçar. Sua dor foi sua única companhia e ela voltou com ele, ainda pior naquela noite.
Ele tinha uma desculpa muito boa para ir para o acampamento, no entanto: um cervo que ele não seria capaz de comer não porque era muito. “Essa bruxa maldita!” – disse para si mesmo.
Ele olhou em todos os lugares, mas não conseguiu encontrá-la. Sentou-se por um tempo com os outros, mas não conseguia descansar. Era insuportável ver alguns deles preparando a carne. Talvez ele estivesse muito cansado, talvez estivesse muito fraco, mas alguns lampejos das pessoas comendo o cervo direto com os dentes fez ele querer atirar em todo mundo, depois em sua própria cabeça.
– Viram a Nadia hoje? Ela não come, mas poderia nos ajudar a preservá-la. – ele ouviu alguém perguntar e ficou bem furioso.
– Não fala bobagem! E eu não vejo ela desde o início da tarde! – Daryl respondeu muito ameaçadoramente. A menina desaparece e vocês só percebem quando precisam dela?
– Eu vi ela com uma pá e umas tábuas faz uma horas. Ela parecia estar fazendo um caixão. 
– Um caixão?! E tu não acha estranho?!
– Bom, olha em volta. Todo mundo tá morrendo... 
– Só me diz onde viu ela!
– Perto do pântano...
Daryl o estrangulou apenas em sua mente, porque tinha que correr para descobrir o que estava acontecendo. Havia apenas uma coisa possível, ele presumiu: ela cavou uma sepultura, colocou um caixão dentro, enterrou a si mesma e ninguém conseguiu ouvir o tiro por causa da terra. “Espera aí! Tu é estúpido? Como ela ia colocar a terra de volta no buraco?
No entanto, ele viu seu local de morte. A dor quase o matou, mas teve força suficiente para cavar e retirar a tampa do caixão para vê-la calmamente deitada! Ele queria abraçá-la e dar um soco nela e beijá-la e matá-la! Nadia sem pressa saiu do seu esconderijo, enquanto o escutava gritando com ela.
– Tá maluca? O que tu acha que tá fazendo? Todo mundo tá fazendo o melhor que pode pra sobreviver e tu simplesmente desiste? O que tu tava tentando fazer? Sufocar aqui dentro?
– Por favor, abaixa a voz.
– Por favor, abaixa...
– Me ouve.
Ambos estavam sentados na terra, os pés mal tocando o fundo do caixão, lado a lado.
– Um: esqueceu as coisas que eu disse ontem sobre viver em vez de sobreviver quando aquela criança ia ser abatida? Dois: só imagina! Nada pode vir desse lado por causa do pântano. Seria muito improvável me alcançar desse lado por causa dos penhascos. Além disso, tem muitas árvores por todo o lugar. E se tu tivesse prestado um pouco de atenção no meu abrigo, teria visto um duto de ar terminando naquela árvore, o que torna quase impossível saber onde eu to. Bom, pelo menos é disso que eu tava convencida. Eu tava testando a coisa. Mas eu tinha certeza que tava segura, sabe? Eu só to um pouco contrariada porque vou ter que fazer tudo de novo. Na verdade, não to nem um pouco contrariada, pois era tu...
– Minha vez.
– Tá.
– Quer saber o que tu é pra mim? Quer... Eu não me importo se tu quer! Não me importo se eu não quero falar sobre isso! Não sei que merda tu tem na voz que eu to viciado nela. Tu é como um cigarro, ou uma droga mais forte! Se te escuto, me sinto bem por um tempo. Se fico sem te escutar, tenho que te encontrar. Se fico contigo por muito tempo, é overdose. Se penso que tu tá morta, todo o resto acaba.
– Daryl...
– Não fala nada! Esquece o que eu disse! To tendo alucinações! Vamos sair daqui! Vem pro trailer comigo se quer se sentir segura o suficiente pra dormir. Posso consertar isso pra ti amanhã.
Ele se levantou muito rapidamente, agarrando o braço dela e tentando puxá-la daquele lugar, mas soltou-a antes do que devia. Ela escorregou no solo macio e caiu no abrigo, ferindo os joelhos. Ele saltou como uma flecha para o esconderijo para ajudá-la a ficar de pé de novo, mas ela não conseguia. Então, ele só a levantou para que ela pudesse sentar no solo de novo – tudo isso sem dizer uma palavra e em segundos!
– Acho que consigo andar em alguns minutos...
– Não podemos esperar.
– Tu definitivamente não vai me colocar nos ombros. Não quero preocupar ninguém. Eles fazem um monte de perguntas, sabe?
– Deixa comigo!
E ele a levou para fora da floresta nos braços.
– Daryl, talvez eu possa andar agora.
– Tu não é pesada. Continua comendo frutinhas. Quantos anos tu tem? 
– Vinte e três. Por quê?
– Só queria saber se tu não era menor. Tu é bon... bem mais jovem em aparência...
Eles entraram no acampamento e alguns dos outros se levantaram em apreensão, rapidamente perguntando o que tinha acontecido. Daryl tinha tudo arranjado:
– Recém nos casamos! – ele respondeu tão rispidamente como de costume, deixando-os espantados. Nadia riu um pouco e deixou que ele cumprisse sua missão com um silêncio confortável.
Eles entraram no trailer para descobrir que a única cama já estava sendo usada. Ou eles dividiriam um colchonete ou...
– Deita aqui. Eu vou ficar acordado de guarda. 
– Isso me faz lembrar uma música...– ela sussurrou, sentando no colchão.
– O quê?
Ela fez sinal para ele se aproximar. Ele deixou a besta na mesa e sentou ao lado dela.
– Te fiz comida, velei teu sono... Fui teu amigo, te levei comigo e me diz: pra mim o que é que ficou? – ela cantou em seus ouvidos. – É sobre alguém confuso num mundo complicado.
– Eu?
– Todos nós.
Eles olharam um para o outro por um longo tempo. Nadia estava apenas cantando em sua mente, mas Daryl estava muito confuso, porque ele tinha crescido sem “braços de mamãe para segurá-lo, sem sorrisos de papai” de jeito nenhum. “Mas por que merda eu quero que ela me abrace? Sorria pra mim e cante de novo? Ela tá me transformando numa bicha! Se eu simplesmente fosse emb...”
– Quer que eu cante outra música pra ti? Te faria dormir. Tu é tão forte, mas é bom descansar de vez em quando. Vem, estica as costas aqui.
Ele queria resistir, ele realmente queria, mas estava tão cansado, e a voz dela... Parecia comandar seus olhos até eles fecharem, e seu corpo até ele fazer exatamente o que ela disse. Depois, Nadia começou a cantar outra música, deitando ao lado dele. Ele ouviu o primeiro verso como se pudesse entendê-lo, como se soubesse que ela era cheia de esperança. Depois, ela cantou outro verso, chegando bem perto dele, a boca quase tocando seu pescoço:
– Todos os dias antes de dormir, lembro e esqueço como foi o dia... Sempre em frente! Não temos tempo a perder...
– Essa é sobre o quê? – ele murmurou, não querendo ser rude interrompendo-a, mas para tentar ficar acordado para sempre.
– Tempo. Tem muito tempo, mas não há tempo a perder. 
– Pode continuar se quiser...
Ela o abraçou e terminou a música. Um longo silêncio se seguiu até que ele simplesmente pegou a mão dela e perguntou:
– Me ensina a amar. 
– Claro, Daryl, claro...
E eles simplesmente dormiram assim, compartilhando calor e certeza.
Mas não durou para se tornar realidade. Quando Nadia acordou, ele não estava mais lá, e ele passou o dia inteiro fora, tentando esquecer que ela existia. Ele quase conseguiu, se não fosse por um bando invadir o acampamento no meio da noite. O fogo o trouxe de volta, e o fogo lhe permitiu ver os sobreviventes escapando em carros, deixando dois mortais para trás. Ele foi até Nadia e não viu a outra moça desaparecendo na floresta. Depois, eles correram para encontrar seus colegas de acampamento, o que não demorou muito.
Eles encontraram um, dois, três dos veículos e a moto de Daryl foi bem como uma agulha costurando todos juntos e levando aquelas almas desesperadas para um lugar mais seguro. Ele era bom assim. Ele até queria ir tentar encontrar algumas pessoas desaparecidas, mas cada um dos restantes teve histórias de morte para contar. Além disso, quando ele viu que a área não era tão segura, ajudou todo mundo a conseguir um carro melhor, a última gota de combustível que pudesse encontrar e as poucas coisas úteis que foram deixadas para pegar. Infelizmente, não o suficiente para chegar em algum lugar livre de perigo. Apenas o meio de uma estrada rodeada por nada.
Quando pararam, famintos, assustados, gelados, pesarosos, todos esses sentimentos negativos se transformaram numa discussão caótica cuja principal consequência foi a revelação de uma verdade muito inconveniente: todo mundo estava infectado.
– Exceto Nadia! – o cara disse, apontando para ela como se ela fosse culpada. No segundo seguinte, todos olhavam para ela, depois pra si próprios e para o cara que disse isso, e eles começaram a fazer perguntas para se certificar de que era real. Quantas vezes eles tinham ouvido alguma informação inegável, como “devemos amar nossos filhos”, “devemos ficar longe de armas”, “devemos construir um mundo sustentável”? Eles nunca tinham ouvido de verdade. Eles iam ouvir uma outra, no entanto. Uma muito dolorosa. Na verdade, um fato novo para a maioria deles.
– É porque ela não come carne. – Daryl resmungou. Talvez o sangue dela seja nossa esperança de encontrar uma cura.
Eles não podiam deixar de olhar para ela. Todos pensavam que ela era só uma carga inútil de 16 anos que não tinha causado nenhum problema sério – ainda. Agora, ouvir aquilo era como se Daryl os tivesse acertado com uma flecha na cabeça, e ninguém era capaz de digerir uma ideia tão forte. Então, todo mundo só mudou de assunto. Eles tinham que organizar um novo acampamento e turnos de guarda. Eles tinham que pensar sobre o que fazer de manhã. Eles tinham que sonhar com um mundo diferente. Um mundo cheio de Nadias em vez de comedores de carne inconscientes...
Quando a primeira parte estava pronta, Nadia sentou bem ao lado de Daryl, que se sentiu muito desconfortável, apesar de todos também estarem muito próximos uns dos outros, à procura de segurança. Ela aninhou a cabeça no peito dele e tremeu de frio, então ele instintivamente passou o braço em volta dela para tentar aquecê-la um pouco, sentindo-se ainda mais estranho, mas pelo menos ele achava que sabia por que estava mantendo distância dela.
– Onde estão as roupas que encontramos? – ele perguntou a alguém.
– No primeiro carro.
– Vamos lá, vamos encontrar alguma coisa pra ti lá. – disse ele, levantando-se.
Ela o seguiu imediatamente, mas ouviu uma das mulheres dizendo: “Não sei que merda tá acontecendo entre os dois”. Seu primeiro impulso foi de voltar e dizer-lhes tudo, mas então achou que seria rude, e ela ainda não tinha decidido ainda o que fazer quando Daryl disse para ela se apressar.
Ele abriu o porta-malas, depois uma mala pesada, dizendo para ela escolher algo rápido. Ela notou que ele não estava preocupado com um ataque.
– Daryl, quando tu disse que queria que eu te ensinasse a...
– Eu tava doido! Não dá pra perceber agora?!
– Agora? Agora que o quê? Agora que precisamos um do outro mais do que nunca? Porque eu preciso... 
– Tu precisa ficar longe de mim! De todos os homens!
– Tu quer dizer...
– Quero dizer que tu não tá infectada e tem que continuar assim! Tu acha que é só a carne? Eu andei pensando...
– É, to te entendendo agora. Sinto que não tenho outra opção além de te contar uma historinha.
– Conta, então.
– Olha, eu perdi minha mãe quando tinha 11 anos. Eu era uma criança doce, mas depois me tornei uma peste. Sabe? Um monstrinho totalmente birrento.
– Tu? Difícil de acreditar.
– Até que aconteceu uma coisa – na minha festa de aniversário de 13 anos. Uma coisa que me mudou completamente novo. Eu tinha um primo... Ele era um pouco mais velho que eu e eu o odiava – bom, na verdade, eu odiava todo mundo naquela época. Ele ficou para dormir e acho que decidiu se vingar de tudo que eu tinha feito para ele... me estuprando.
– O q...?
– Sabe, nós somos um povo muito sensual no Brasil. Começamos nossa vida sexual cedo e livres de culpa.
– Eu não to entend...
– Olha, embora eu estivesse a fim de fazer sexo com alguns caras, eu odiava ele, lembra? E ele me obrigou mesmo assim. Eu quase não conseguia respirar porque ele tapou minha boca, então eu desmaiei depois de sentir muita dor.
O rosto de Daryl endureceu e foi impossível continuar olhando para ela. Ela tocou o braço dele com muito carinho, o que só o fez tentar se desvencilhar.
– Veste isso antes que tu congele.
– Obrigada. Será que a gente acha uma calça?
Ele a ajudou naquela escuridão, até que encontraram a mesma calça juntos. Nadia pensou que já tinha lhe dado o tempo que precisava para estar pronto para ouvir mais e ela terminou a sua história antes de entrar no carro para trocar a bermuda.
– Voltei a ser doce por causa disso, sabe? Passei muito tempo em silêncio, pensando, então percebi que eu deveria ter previsto isso. Eu merecia.
– Como pode dizer isso?
– Todos nós merecemos o que recebemos. Eu li muitos livros, assisti a toneladas de filmes, ouvi umas bandas boas e decidi mudar. Não sei o que fiz pra merecer perder meus pais – sim, meu pai morreu no ano passado, mas talvez essa fosse a única maneira de me trazer aqui. Talvez esse seja o lugar onde nós podemos resolver as coisas em vez de sermos extintos. Enfim, eu te contei meu segredo porque não quero que tu pense que isso é como o HIV, quer dizer, acho que sexo é uma coisa natural e eu não fui infectada com ele. Quero te... ter... como alguém... muito perto de mim, agora. Mas tu não precisa ter pressa e pode te sentir livre pra me dizer que não me quer.
– Tu fala comigo como se eu fosse uma menininha! Eu não sou um idiota! Eu disse que a gente se casou, não disse?! E não tem como eu te infectar! Tu disse que me quer, não disse?! Tu acha que eu sou uma bicha?!
Apesar de toda aquela verborragia, ele não era capaz de fazer nada além de andar pra lá e pra cá! Ela esperava que ele fizesse algo quando o irritou de propósito, só para ver se a raiva era capaz de motivá-lo, já que o amor não era.
“Acho que tu deve te livrar dos preconceitos”, foi o pensamento dela enquanto ele finalmente conseguiu usar sua “masculinidade” como desculpa para abraçá-la fortemente e beijar seus lábios descontroladamente. Ele não admitiria que tinha imaginado aquele momento algumas vezes antes, mas disse que ela era sua última esperança. A última esperança da humanidade, na verdade.
– Agora vou te proteger 24 horas por dia. Nada vai acontecer contigo, porque tu não merece e eu vou ser o responsável por garantir que o mundo te trate bem. Sinto que estamos perto de uma solução. 
Podemos encontrar um lugar seguro. Tu realmente tem 23?
Ela abriu um imenso sorriso para ele, os olhos brilhando, e balançou a cabeça afirmativamente.
– Então vamos entrar no carro. – sugeriu ele, as mãos pelo corpo dela, sorrindo com o canto da boca.